EFEMÉRIDES
 
 


Informações diárias | Mercúrio | Vênus | Marte | Júpiter | Saturno | Luz Cinzenta | Ocultação | Chuva de meteoros |

|| Plêiades | Aglomerado da Colméia - M44| Nebulosa de Órion - M42 |


Introdução

As efemérides astronômicas produzidas por Marcos Calil servem de guia para os apaixonados pela observação astronômica. Aqui são relatados e explicados os principais eventos observáveis a olho nu e alguns que podem ser contemplados utilizando telescópios, lunetas ou binóculos. Também são apontados alguns eventos dignos de fotos que poderão ou não ocorrer no próximo mês.
No caso de eventos significativos que irão se repetir no próximo mês é fornecido a sugestão de obter algumas fotos, mesmo com câmeras digitais simples. Essas astrofotos poderão ser enviadas pelo observador, através do e-mail momentoastronomico@climatempo.com.br, para que publiquemos nas efemérides do mês seguinte com seus devidos créditos.

Para facilitar a compreensão dos fenômenos astronômicos aqui relatados, além das explicações detalhadas, utilizamos algumas letras antes das datas referente às informações dos principais eventos durante o mês. São letras que representam os seguintes critérios:

F - Evento facilmente de ser observado por qualquer pessoa;
M - Evento que requer uma noção simples de Astronomia do observador para contemplação do fenômeno;
D - Evento de difícil observação, para observadores com nível avançado em astronomia observacional;

O - Evento que pode ser contemplado a olho nu;
T - Evento que necessita a utilização de um telescópio, luneta ou binóculo;
A - Evento que poderá ser fotografado com auxílio de uma simples câmera digital acoplada no telescópio ou não e que irá se repetir de forma semelhante com o mesmo astro ou outro no próximo mês. Aproveite suas astrofotos e envie para publicação nesse site (momentoastronomico@climatempo.com.br)

Quando nenhuma referência é apresentada na frente da data, significa que o evento não poderá ser observado.


TODOS OS HORÁRIOS DOS FENÔMENOS DESCRITOS NÃO ESTÃO CONSIDERANDO O HORÁRIO DE VERÃO


Informações sobre os planetas visíveis a olho nu:

Mercúrio - Visível no anoitecer a partir do dia 15 (aproximadamente) no horizonte oeste - Comentário 1.

Vênus - Visível no horizonte oeste logo após o pôr do Sol durante todo o mês - Comentário 2.

Marte - Sua contemplação não será possível durante esse mês.

Júpiter - Observável durante todas as noites após o pôr do Sol no lado do horizonte oeste - Comentário 3.

Saturno - Visível no horizonte leste no início da madrugada - Comentário 4.


Informações diárias dos principais eventos:

NOTAS:

Horários mencionados de acordo com o horário de Brasília (GMT-3h), desconsiderando o horário de verão;

As aproximações da Lua com estrelas mencionadas levam em consideração a possibilidade de serem observadas a olho nu tendo como magnitudes inferiores a 4.0 e com separação angular até 5 graus. Os horários de contemplação desse fenômeno são apenas sugestões para observação;

A magnitude utilizada é a visual, que significa o brilho aparente do astro. É necessário saber que quanto maior for o número dado, menor será o brilho do astro. O limite de observação a olho nu, em condições ideais de observação, ou seja, numa noite sem a interferência da Lua e em ambiente sem poluição luminosa é de magnitude aproximada de 6.0.

Dia

Evento - Horário de Brasília (GMT –3h)

01 a 04

FOA - Luz Cinzenta da Lua - Comentário 5.

01- Segunda-feira

FOA - 19:30 - Lua próxima de Vênus (magnitude –4.1) e Júpiter (magnitude –2.0) - Comentários 2 e 3.

02- Terça-feira

Dia da Astronomia no Rio de Janeiro.
MTA - 20:18 - Ocultação da estrela upsilon Capricorni pela Lua - Comentário 6.

03- Quarta-feira

DTA - 19:30 - Lua próxima de Netuno (magnitude 7.9) - Netuno não é visível a olho nu.
FOA - 19:30 - Lua próxima da estrela Nashira (magnitude 3.6).

04- Quinta-feira

FOA - 22:46 - Ocultação da estrela Ancha pela Lua - Comentário 6.

05- Sexta-feira

FOA - 18:29 - Lua quarto-crescente.
DTA - 19:30 - Lua próxima de Urano (magnitude 5.8) - Urano não é visível a olho nu.

06- Sábado

MTA - 21:00 - Ocultação da estrela 19x Piscium pela Lua - Comentário 6.
FO - Máximo da chuva de meteoros Phoenicids (PHO) - Comentário 7.
FO - Máximo da chuva de meteoros Alpha Puppids (PUP) - Comentário 7.

07- Domingo

--

08- Segunda-feira

FOA - 19:30 - Lua próxima da estrela eta Piscium (magnitude 3.6).
FO - Máximo da chuva de meteoros December Monocerotids (MON) - Comentário 7.
FO - Máximo da chuva de meteoros Delta Arietids - Comentário 7.

09- Terça-feira

FOA - 19:30 - Lua próxima da estrela Hamal (magnitude 2.0).

10- Quarta-feira

FOA - 19:30 - Lua próxima das Plêiades (magnitude 1.4) - Comentário 8.
FO - Máximo da chuva de meteoros Northern Chi Orionids (XOR) - Comentário 7.
FO - Máximo da chuva de meteoros Southern Chi Orionids (XOR) - Comentário 7.
FO - Máximo da chuva de meteoros 11 Canis Minorids - Comentário 7.

11- Quinta-feira

FO - Máximo da chuva de meteoros Sigma Hydrids (HYD) - Comentário 7.

12- Sexta-feira

13:39 - Lua cheia.
FOA - 20:30 - Lua próxima da estrela Elnath (magnitude 1.6).

13- Sábado

FOA - 21:30 - Lua próxima da estrela Mebsuta (magnitude 3.0).
MTA - 01:27 - Ocultação da estrela 136 Tauri pela Lua - Comentário 6.
FO - Máximo da chuva de meteoros Geminids (GEM) - Comentário 7.

14- Domingo

FOA - 22:30 - Lua próxima da estrela kapa Geminorum (magnitude 3.5).

15- Segunda-feira

FOA - 23:00 - Lua próxima da estrela Ascellus Australis (magnitude 3.9).
MTA - 03:48 - Ocultação da estrela mi Cancri pela Lua - Comentário 6.

16- Terça-feira

--

17- Quarta-feira

FOA - 00:01 - Lua próxima da estrela Regulus (magnitude 1.3).
FOA - 00:01 - Lua próxima da estrela omicron Leonis (magnitude 3.5).

18- Quinta-feira

DTA - 00:30 - Lua próxima do planeta-anão Ceres (magnitude 7.0) - Ceres não é visível a olho nu.

19- Sexta-feira

MTA - 00:54 - Ocultação da estrela upsilon Leonis pela Lua - Comentário 6.
FOA - 01:00 - Lua próxima da estrela Zavijara (magnitude 3.5).
FOA - 01:00 - Lua próxima de Saturno (magnitude 1.0) - Comentário 4.
FOA - 07:34 - Lua quarto-minguante.

20- Sábado

FO - Máximo da chuva de meteoros Coma Berenicids (COM) entre os dias 20 a 29/12 - Comentário 7.

21 a 25

FOA - Luz Cinzenta da Lua - Comentário 5.

21- Domingo

FOA - 02:00 - Lua próxima da estrela Spica (magnitude 0.9).

22- Segunda-feira

FO - Máximo da chuva de meteoros Ursids (URS) - Comentário 7.
09:05 - Solstícios de verão no Hemisfério Sul.

23- Terça-feira

FOA - 03:00 - Lua próxima da estrela Zubenelgenubi (magnitude 2.7).

24- Quarta-feira

FOA - 03:30 - Lua próxima da estrela upsilon Librae (magnitude 3.5).
FOA - 03:30 - Lua próxima da estrela pi Scorpii (magnitude 2.8).

25- Quinta-feira

FOA - 04:30 - Lua próxima da estrela Antares (magnitude 1.0).

26- Sexta-feira

15:00 - Lua no apogeu. Maior distância do ano dos centros da Terra e da Lua com 406.602km.

27- Sábado

09:24 - Lua nova.

28- Domingo

--

29 a 31

FOA - Luz Cinzenta da Lua - Comentário 5.

29- Segunda-feira

Início do ano mulçumano (01 Muharram do ano 1430).
FOA - 19:30 - Lua próxima de Júpiter (magnitude –1.9) - Comentário 3.
FOA - 19:30 - Lua próxima de Mercúrio (magnitude –0.7) - Comentário 1.

30- Terça-feira

MTA - Planeta-anão Ceres em oposição (melhor momento de observação) - Ceres não é visível a olho nu.
FOA - 19:30 - Lua próxima de Vênus (magnitude –4.3) - Comentário 2.
FOA - 19:30 - Lua próxima de Netuno (magnitude 7.9) - Netuno não é visível a olho nu.

31- Quarta-feira

Feliz ano novo!

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Comentários:

1- COMO OBSERVAR O PLANETA MERCÚRIO

O planeta Mercúrio não é um astro simples de ser observado. Apesar da sua magnitude ser favorável como esse planeta estará próximo da linha do horizonte oeste, no início do mês, sua observação se tornará complicada. Porém, com o avançar dos dias esse planeta estará cada vez mais acima da linha do horizonte facilitando sua contemplação. De forma aproximada, esse planeta poderá ser observado a partir do dia 15 desse mês. Procure sempre um local afastado da interferência de objetos que obstruam a linha do horizonte oeste. Prédios, montanhas, árvores e outros poderão atrapalhar a observação desse pequeno e brilhante planeta. A figura 1 mostra o movimento aparente de Mercúrio, Vênus e Júpiter durante o mês de dezembro para 20 horas. Para algumas regiões do Brasil o que poderá se modificar é a distância dos astros em relação a linha do horizonte nesse horário.

A Lua estará próxima de Mercúrio durante o anoitecer de 29 desse mês. Para esse momento o nosso satélite natural estará com apenas 5% do seu disco iluminado proporcionando um fino e belo crescente. Momento muito interessante para se obter algumas fotos, uma vez que Júpiter estará brilhando fortemente pouco abaixo de Mercúrio. Essa observação não será fácil de ser realizada por conta da aproximação da Lua com o Sol (de forma aparente) durante esse anoitecer. Por essa razão que não será possível de observar a maior aproximação entre a Lua, Júpiter e Mercúrio na noite anterior, onde a Lua estará com apenas 1,6% do seu disco iluminado. Vale tentar obter algumas fotos. Envie suas astrofotos para momentoastronomico@climatempo.com.br para serem publicadas na página principal do nosso site ou então no programa Momento Astronômico (transmitido pela TV Climatempo – canal 102 da SKY TV e também pelo site).

Movimento aparente de Mercúrio, Vênus e Júpiter

Figura 1. Movimento aparente de Mercúrio, Vênus e Júpiter.

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2- COMO OBSERVAR O PLANETA VÊNUS

Durante todo o mês o planeta Vênus poderá ser observado próximo do horizonte oeste logo após o pôr do Sol. Por causa do seu forte brilho, na linguagem popular é comum chamar esse pequeno planeta de “Estrela D´Alva”. Uma bela observação é contemplar a Lua próxima de Vênus. Esse evento irá ocorrer em dois momentos do mês: no anoitecer de primeiro de dezembro e no úlitmo dia do mês. Para o dia 01 de dezembro a Lua estará com apenas 14,8% do seu disco iluminado, enquanto que para o dia 31 de dezembro a Lua estará com 16,5% do seu disco iluminado proporcionando um fino e belo crescente. Porém, no dia 01 de dezembro teremos o planeta Júpiter próximo de Vênus o que nos dará um espetáculo a parte no céu, já que esses dois astros são muito brilhantes e fáceis de serem fotografados com câmeras digitais apopiadas num tripé. Com o avançar dos dias, o planeta Jùpiter estará cada vez mais se afastando de Vênus. Sua máxima aproximação irá ocorrer no primeiro dia desse mês. Observe a figura 1 para entender os movimentos aparentes de Vênus e Júpiter durante o mês de dezembro. A figura 1 foi concebida para o início do anoitecer, logo após o pôr do Sol para São Paulo. Para algumas regiões do Brasil o que poderá se modificar é a distância dos astros em relação a linha do horizonte.

Ainda sobre Vênus, a foto 1 ilustra algo parecido que o observador poderá contemplar nos dias 01 e 31 de dezembro, quando a Lua estará próxima de Vênus. A diferença será que no dia 01 teremos o planeta Júpiter "disputando seu lugar na foto". A foto 2, foi enviada por Jonas De Araujo Barros do Rio de Janeiro (RJ) e retrata Vênus na sua fase gibosa crescente. Para poder obter essa foto Jonas utilizou uma câmera Mitsuca DC5025BR acoplada num telescópio Celestron Powerseeker 114EQ com uma ocular de 4mm, 225 vezes de aumento e mais 2 vezes do zoom da máquina. Ele obteve essa bela foto às 17:45 de 15 de outubro de 2008. Parabéns Jonas pela foto. Já a foto 1 foi obtida com uma simples câmera CyberShot apoiada num tripé mostrando que é simples obter belas fotos sem o auxílio de grandes equipamentos.

Aproveite a oportunidade para fotografar Vênus e a Lua, além de outros fenômenos. Se desejar, envie sua astrofoto para momentoastronomico@climatempo.com.br que sua foto poderá ser publicada nesse site e no programa Momento Astronômico.

Aproximação de Vênus com a Lua.

Foto 1. Aproximação de Vênus com a Lua por Marcos Calil.

Vênus e sua fase porJonas De Araujo Barros.

Foto 2. Vênus e sua fase porJonas De Araujo Barros.

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3- COMO OBSERVAR O PLANETA JÚPITER

O planeta Júpiter poderá ser contemplado durante todo o mês de dezembro logo após o pôr do Sol no lado do horizonte oeste. Para o início do mês, o gigante gasoso estará alto no céu e com o avançar dos dias, até o final do mês, estará cada vez mais se aproximando da linha do horizonte. Aproveite enquanto é possível contemplar esse planeta, pois para o próximo mês esse belo planeta não poderá ser observado com tanta facilidade. Observe a figura 1 e a explicação sobre a observação de Vênus e Júpiter no comentário 2 para entender o movimento aparente desses dois planetas.

A Lua estará próxima de Júpiter nos dias 01 e 29 de dezembro. Para o dia 01 de dezembro vale ler o comentário 2 e para o dia 29 de dezembro vale ler o comentário 1, quando Júpiter e a Lua estarão próximos de Vênus e Mercúrio, respectivamente. Novamente, a figura 1 ilustra o movimento aparente de Júpiter durante esse mês. Observe o caminhar desse astro e sua aproximação e distanciamento dos planetas Mercúrio e Vênus.

Aproveite para obter algumas fotos de Júpiter, Vênus e Mercúrio. Todos esses astros são facilmente fotografados. Mesmo com equipamentos simples, como uma câmera digital, um tripé e se desejar o uso de um software de edição de imagem (serve até o Power Point com uso do brilho e contraste) é possível obter belas astrofotos.

A foto 3 ilustra bem o que foi escrito, porém com o uso de alguns equipamentos extras. Essa imagem foi obtida na Serra do Cipó, pertencente à Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, na noite de 2 de setembro, logo após a meia-noite por Fabiano Belisário Diniz. Ele utilizou uma câmera Nikon D-70s com lente em 18mm, f/3.5, ISO 1600 e com 30 segundos de exposição. Conforme Fabiano nos escreveu, a foto foi posteriormente tratada no PhotoShop. Perceba que o planeta Júpiter aparece bem acima, brilhante, juntamente com a Via Láctea. Fabiano nos escreveu ainda que a luminosidade no chão foi provocada por uma lanterna durante a exposição. Parabéns pela foto Fabiano!!!

 

Júpiter na constelação de Sagitário por Fabiano Belisário Diniz.

Foto 3. Júpiter na constelação de Sagitário por Fabiano Belisário Diniz.

 

Já, a foto 4 foi enviada por Carlos Palhares que aproveitou a aproximação da Lua com Júpiter de 09 de setembro. Nessa noite a Lua estava com 71% do seu disco iluminado e separação angular de 2 graus e 58 minutos de Júpiter. Pereceba que para a noite de 01 de dezembro a Lua estará um pouco mais afastada de Júpiter e com uma menor taxa do seu disco iluminado, facilitando a obtenção da foto. Para 29 de dezembro a Lua estará muito afastada de Júpiter o que poderá prejudicar o enquadramento desses dois astros numa única foto, dependendo do equipamento utilizado.

Em termos técnicos, para a foto 4 temos uma distância angular da Lua com Jùpiter de 2 graus e 58 minutos. Para o dia primeiro de dezembro essa distância angular será de 3 graus, enquanto que para o dia 29 de dezembro será de 6 graus e onze minutos. Geralmente as câmeras convencionais conseguem enquadrar até 5 graus de arco e é por essa razão que no dia 29 não será possível obter a foto da Lua e Júpiter no mesmo quadro ao não ser que o astrofotógrafo utilize equipamentos especiais, como a chamada lente "olho de peixe".

Aproximação da Lua com Júpiter em setembro por Carlos Palhares.

Foto 4. Aproximação Lua com Júpiter por Carlos Palhares.

Se você deseja enviar suas fotos, faça como o Carlos. Envie para momentoastronomico@climatempo.com.br que poderemos publicar nesse site, na página principal ou até no programa Momento Astronômico.

AS LUAS DE JÚPITER

O que é interessante de ser observado com auxílio de um simples instrumento óptico como luneta ou telescópio são as luas Galileanas. Tratam-se de Io, Europa, Calisto e Ganimedes. Essas luas podem ser observadas girando em torno de Júpiter numa única noite. Para tanto, é interessante que o observador faça um desenho das luas no início da sua primeira observação e depois outro desenho após uma hora e assim, sucessivamente. Esse tipo de observação poderá ser realizado hora após horas e até dia após dia. É muito interessante ver, por exemplo, a ocultação de uma das luas por Júpiter. A figura 2 demonstra o movimento das 4 luas Galileanas ao longo do mês.

Do interior para o exterior temos: Io, Europa, Ganimedes e Calisto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O movimento das luas Galileanas.

Figura 2 . O movimento das luas Galileanas.

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4- COMO OBSERVAR O PLANETA SATURNO

O gigante dos anéis poderá ser observado acima da linha do horizonte leste próximo da virada da noite. Vale saber que quanto mais nos aproximarmos do final do mês Satruno estará cada vez mais alto no céu e nascendo cada vez mais cedo. Esse planeta estará em condições favoráveis de ser observado, mesmo nas grandes cidades que possuem um alto índice de poluição luminosa. A tabela 1 apresenta o horário do nascer desse belo planeta para algumas regiões do Brasil.

01/12

15/12
31/12
Fortaleza
01:22
00:28
23:27
São Paulo
02:01
01:07
00:06
Porto Alegre
02:22
01:29
00:27

Tabela 1: Horário do nascer de Satruno para dezembro de 2008.

Uma característica bem interessante de Saturno durante os próximos meses de observação será a posição que esse astro se encontra em relação a sua inclinação aparente. Por causa da largura de seus anéis ser muito fino, cerca de 5 a 15km de espessura, eles simplesmente parecem desaparecer. Isso mesmo!!! A observação de Saturno daqui da Terra não contemplará seus anéis o que irá causar enormes frustrações por muitas pessoas que nunca puderam observar Saturno com auxílio de telescópio e uma excelente oportunidade para aqueles que estão acostumados de realizar esse tipo de observação. As figuras 3 e 4 ilustram a inclinação de Saturno no primeiro e último dia do mês, respectivamente.

Saturno em 01 de novembro de 2008.

Figura 3. Saturno em 01 de dezembro de 2008.

Saturno em 30 de novembro de 2008.

Figura 4. Saturno em 31 de dezembro de 2008.

Na noite de 19 de dezembro a Lua estará próxima de Saturno com cerca de 52% do seu disco iluminado. Será uma observação fácil de ser realizada e digna de uma foto. Utilize uma câmera digital simples apoiada num tripé ou então acoplada numa luneta ou telescópio e envie sua astrofoto para nós. Sua foto poderá ser inserida nesse site ou aparecer no programa Momento Astronômico. Envie para momentoastronomico@climatempo.com.br.

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5- LUZ CINÉRIA OU LUZ CINZENTA DA LUA.

A Luz Cinzenta da Lua pode ser observada em dois momentos:

Caso 1- entre um a três dias (aproximadamente) depois da Lua Quarto Minguante até um ou dois dias antes da Nova.

Caso 2- entre um a três dias (aproximadamente) depois da Lua Nova até um ou dois dias antes do Quarto Crescente.

Para entender o fenômeno, basta sabermos que a luz do Sol que incide sobre a Terra é refletida para Lua, iluminando sua parte escura. Dessa forma, o que podemos observar é algo parecido com a foto 5.

Por causa da configuração Sol-Lua-Terra, no primeiro caso com o avançar dos dias, a Luz Cinzenta da Lua se torna cada vez mais acentuada, enquanto no segundo caso com o avançar dos dias, a Luz Cinzenta da Lua se torna cada vez menos acentuada e, portanto, menos visível.

Durante esse mês, os melhores momentos para observação irão ocorrer entre 01 a 04, 21 a 25 e 29 a 31 de dezembro. De acordo com os casos 1 e 2, as melhores possibilidades de observação irão ocorrer entre os dias 01 a 03, 22 a 25 e 29 a 31 de dezembro. Nos dias 22 a 25 a Lua irá nascer poucos instantes do nascer do Sol, enquanto para os dias 01 a 04 e 29 a 31 a Lua irá se pôr poucos instantes após o pôr do Sol.

Caso você deseja saber o horário exato do nascer e ocaso da Lua e do Sol, além do nascer e ocaso dos planetas do Sistema Solar para sua cidade, acesse o site do Observatório Nacional http://euler.on.br/ephemeris/index.php.

A Luz Cinzenta da Lua

Foto 5. Luz Cinzenta da Lua, por Marcos Calil.

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6- OCULTAÇÕES DE ESTRELAS PELA LUA.

Ocultação é o fenômeno que ocorre quando um astro de diâmetro aparente maior passa à frente de outro astro com diâmetro aparente menor. Durante o mês ocorrerão diversas ocultações de estrelas pela Lua, porém visíveis a olho nu, são poucas as ocultações que podem ser facilmente observadas. Vale lembrar que o olho humano consegue observar no máximo magnitudes inferiores a 6.0 e o quanto o disco iluminado da Lua irá refletir a luz solar são fatores importantes que devem ser considerados para conseguir ou não observar o fenômeno. No caso do uso de telescópios, lunetas ou binóculos, quando a Lua estiver próxima da fase cheia, será necessário utilizar filtros para bloquear o excesso de luz lunar. A ocultação máxima de uma estrela chega a 70 minutos, quando a imersão e emersão se verificam em pontos diametralmente opostos da Lua. Uma ocultação de planeta pela Lua é algo mais raro de ocorrer durante o ano.

 

Ocultação da estrela Regulus pela Lua

Foto 6. Ocultação da estrela Regulus pela Lua.

Sabendo desses fatores, podemos observar na tabela 2 a magnitude de cada estrela, a quantidade que o disco da Lua estará iluminado no momento da ocultação e o horário aproximado da ocultação.

DATA

ESTRELA/PLANETA

MAGNITUDE
CONSTELAÇÃO
ILUMINAÇÃO DO DISCO LUNAR
HORÁRIO
COMENTÁRIO
02/12
U Cap
5.2
Capricórnio
22,4%
20:18
6.1
04/12
Ancha
4.2
Aquário
41,3%
22:46
6.2
06/12
19x Psc
5.0
Peixes
61,3%
21:00
6.3
13/12
136 Tau
4.6
Touro
99,5%
01:27
6.4
15/12
Mu Cancri
5.3
Câncer
90,3%
03:48
6.5
19/12
U Leo
4.3
Leão
52,4%
00:54
6.6

Tabela 2. Ocultações visíveis durante a noite com estrelas e/ou planetas.

* Horário calculado para os observadores localizados em São Paulo durante o início do evento de acordo com o horário de Brasília, desconsiderando o horário de verão. Para os observadores localizados em outras regiões o início do fenômeno poderá ocorrer até 1 hora antes do evento em relação ao horário dado para São Paulo. Também deverá ser considerado o fuso horário do local de acordo com o horário de Brasília.

Legenda para os mapas:

- Região azul à esquerda - ocultação que ocorre próximo do horizonte leste, instantes próximo do nascer da Lua. Nessas condições como a Lua se localiza próxima da linha do horizonte a observação da ocultação da estrela é prejudicada;
- Região azul à direita -
ocultação que ocorre próximo do horizonte oeste, instantes próximo do pôr da Lua. Nessas condições como a Lua se localiza próxima da linha do horizonte a observação da ocultação da estrela é prejudicada;
- Faixa branca -
local que é possível realizar a observação da ocultação. Deve-se saber que quanto mais próximo da linha branca o observador se localiza, mais à “borda” da Lua a estrela será ocultada.

6.1. Upsilon Capricorni (3017 M1)

Os observadores localizados na faixa branca indicada na figura 5 poderão contemplar essa ocultação que não poderá ser realizada a olho nu devido à baixa magnitude da estrela (fraco brilho) de 5.2 apesar da Lua estar com apenas 22,4% do seu disco iluminado. Assim, será necessário utilizar um telescópio ou luneta para poder observar essa ocultação. Vale lembrar que as pessoas localizadas próximas à linha branca do mapa irão contemplar a ocultação próxima da borda da Lua e as pessoas localizadas próximas da faixa azul ou na própria faixa azul irão contemplar essa ocultação com a Lua próxima da linha do horizonte com muito mais dificuldade.

 

 

Faixa de observação da ocultação.

Figura 5. Faixa de observação da ocultação.


6.2. Ancha (3269 G8)

Outra ocultação difícil de ser observada a olho nu e que irá precisar da ajuda de equipamentos ópticos. Além da estrela Ancha possuir uma magnitude de 4.2, fato que dificulta sua observação a olho nu, a Lua estará com 41,3% do seu disco iluminado atrapalhando um pouco a observação dessa ocultação. Assim essa contemplação ficará restrita para os observadores que possuem telescópios ou lunetas. As pessoas localizadas abaixo da linha branca indicada no mapa da figura 6 poderão contemplar essa ocultação.

 

 

 

 

Faixa de observação da ocultação.

Figura 6. Faixa de observação da ocultação.


6.3. 19X Piscium (3501)

Apesar dessa ocultação ocorrer com a Lua próxima do zênite a porcentagem do disco iluminado será de 61,3% e a magniutde da estrela será de 5.0. Esses fatores prejudicam a observação a olho nu e sua contemplação só poderá ser realizada com a juda de telescópio ou luneta, possivelmente sem a necessidade de filtro para bloquear a luminosidade da Lua. A figura 7 ilustra a pequena faixa de observação no Brasil.

 

 

 

 

Faixa de observação da ocultação.

Figura 7. Faixa de observação da ocultação.


6.4. 136 Tau (890 cA0)

Visível em quase todo o Brasil essa ocultação irá ocorrer com a Lua numa posição favorável de observação. Porém, como seu disco iluminado estará com 99,5% e magnitude da estrela é de 4.6 a observação dessa ocultação só poderá ser realizada com ajuda de telescópio ou luneta com filtros específicos para bloquear a luminosidade da Lua. Veja a figura 8 que ilustra a região do Brasil que poderá ver essa ocultação.

 

 

 

 

Faixa de observação da ocultação.

Figura 8. Faixa de observação da ocultação.


6.5. Mu Cancri (1224 G2)

Visível melhor na região norte e nordeste do Brasil essa ocultação irá ocorrer tendo a Lua com 90,3% do seu disco iluminado. Fato que atrapalha e muito a observação, sendo somente possível com ajuda de telescópio ou luneta acoplados a filtros específicos para bloquear a luminosidade da Lua. A baixa magnitude da estrela (com 5.3) também prejudica a observação. A figura 9 ilustra a região do Brasil que poderá ver essa ocultação.

 

 

 

 

Faixa de observação da ocultação.

Figura 9. Faixa de observação da ocultação.


6.6. Upsilon Leonis (1685 cG9)

A última ocultação do ano dentro dos padrões estabelicidos por nós poderá ser observada dentro da faixa branca indicada no mapa da figura 10. Para os observadores que estiverem localizados próximos ou dentro da faixa azul poderão contemplar essa ocultação durante o nascer da Lua, fato que prejudica a contemplação. Além da ocultação, nessa noite teremos a Lua próxima de Saturno (ver comentário 4 sobre esse planeta). Para essa noite a Lua estará com 52,4% do seu disco iluminado fato que dispensa o uso de filtros nos telescópios ou lunetas. Porém, por causa da baixa magnitude da estrela (com 4.3) essa observação poderá não ser possível de ser realizada a olho nu, dependendo do local do observador, principalmente se o mesmo estiver localizado próximo ou dentro da faixa azul indicada no mapa da figura 10.

 

Faixa de observação da ocultação.

Figura 10. Faixa de observação da ocultação.

 

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7- CHUVAS DE METEOROS.

Os meteoros, popularmente chamados de estrelas cadentes são traços luminosos proporcionados pela rápida passagem de corpos variados na alta atmosfera terrestre. Esses corpos são chamados meteoróides e atingem diâmetros na ordem entre alguns microns ou milímetros. Da palavra meteoróide temos a expressão "orbitando o Sol" onde ocasionalmente, esses fragmentos que estão circulando no espaço reencontram a Terra em sua passagem. No momento que penetram na atmosfera terrestre, sofrem os efeitos do atrito atingindo velocidades entre 12 a 72 km/s numa altitude aproximada de 120 km (no seu aparecimento) a 60 km (no seu desaparecimento), produzindo a sua incandescência e volatilização. Em conseqüência desse choque, a grande maioria se desagrega antes de atingir o solo. Alguns dos meteoróides atingem o solo, dando origem ao que chamamos de Bólidos ou bolas de fogo. Assim, aqueles meteoróides que ao entrarem em atrito com a atmosfera não se consumindo completamente e chocam-se com a superfície terrestre são chamados de Bólidos. Para estes fragmentos rochosos ou ferrosos originados do espaço que impactaram com o solo, chamamos de meteorito.

Na tabela 3 são informados os principais dados referentes as chuvas de meteoros desse mês.

Chuva
P
M
C
CCT
THZ
r
V
LUA (%)
Comentário
Phoenicids (PHO)

29/11

09/12

06/12
Fênix

a = 15

d = -52

Var até 100
2.8
18
61%
7.1
Alpha Puppids (PUP)

17/11

09/12

06/12
Popa

a = 123

d = -45

10
3.2
40
61%
7.2
December Monocerotids (MON)

09/12

18/12

08/12
Unicórnio

a = 101

d = +10

02
3.0
42
82% e s/l
7.3 - Após o pôr da Lua, por volta das 3:00, o radiante estará alto.
Delta Arietids

08/12

02/01

09/12
Áries

a = 51

d = +21

05
?
28
72%
A Lua atrapalha a observação.
Northern Chi Orionids (XOR)

16/11

16/12

10/12
Órion

a = 82

d = +23

05
?
28
78%
7.3.
Southern Chi Orionids (XOR)

02/12

18/12

10/12
Órion

a = 88

d = +20

05
?
28
s/l - 35,7%
7.3.
11 Canis Minorids

04/12

15/12

10/12
Cão Menor

a = 117

d = +13

05
?
28
s/l - 35,7%
7.3.
Sigma Hydrids (HYD)

04/12

15/12

11/12
Hidra

a = 127

d = +02

03
3.0
58
s/l - 35,7%
7.3.
Geminids (GEM)

06/12

19/12

13/12
Gêmeos

a = 112

d = +33

100
2.6
35
s/l - 35,7%
7.3.
Coma Berenicids (COM)

08/12

23/01

20/12
Cabeleira de Berenice

a = 175

d = +25

05
3.0
25
s/l - 35,7%
--
Ursids (URS)

17/12

25/12

22/12
Ursa Menor

a = 217

d = +76

10
3.0
33
s/l - 35,7%
--

Tabela 3. Chuva de meteoros desse mês.

Legenda:

CHUVA - indica o nome da chuva em questão;

P - Período em que ocorrerá a chuva;

M - Momento máximo que irá ocorrer a chuva. Essa é a melhor data para observar;

C - Constelação associada a chuva;

CCT - Posição sugerida de observação dadas em coordenadas equatoriais;

THZ - Taxa Horária Zenital - um número máximo calculado de meteoros que um observador pode apreciar, numa noite sem a inferência da Lua, com o céu perfeitamente limpo e com radiante sobre a cabeça do observador (zênite). Quando ocorrer uma chuva periódica, ou seja, sem previsão da taxa por hora, a mesma será representada pela letra P;

r - Índice provável de magnitude da chuva. Quanto menor o valor mais fácil será sua observação;

V - Velocidade de entrada atmosférica do meteoro, dada em km/s. As velocidades variam entre 11 km/s (muito lento), 40 km/s (médio) e 72 km/s (muito rápido);

LUA (%) - Porcentagem do disco iluminado para o melhor momento de observação da chuva. No caso sem influência da Lua durante a chuva de meteoros é atribuído o símbolo s/l.

COMENTÁRIO - Quando existir o número, a chuva será comentada no seu respectivo número.

Comentários

7.1 - 06/12 - Phoenicids (PHO)

Durante essa chuva de meteoros (no popular “estrelas cadentes”) a Lua poderá atrapalhar a observação, pois o nosso satélite natural estará com 61% do seu disco liluminado. Pelo histórico, a chuva Phoenicids possui uma variação acentuada quando analisada sua taxa horária zenital, por isso que a previsão é entre 3 a 100 meteoros a cada uma hora. Uma grande diferença, porém verdadeira quando analisado o seu histórico.
A constelação da Fênix pode ser observada logo após o pôr do Sol bem alta no céu no lado do horizonte Sul. Localizado essa região do horizonte, basta subir os olhos cerca de 60 graus e o observador poderá contemplar a região que irá ocorrer a chuva. Outra referência para localizar essa constelação é identificar a estrela brilhante Acherma (magnitude 0,4) da constelação do Erídano que está próxima da constelação da Fênix ou então a própria Lua que estará pouco acima do radiante dessa chuva de meteoros. Vale tentar observá-la e torcer para que tenhamos mais de 100 meteoros a cada uma hora.

7.2 - 06/12 - Alpha Puppids (PUP)

Na mesma noite que irá ocorrer a chuva de meteoros Phoenicids, também teremos a chuva Alpha Puppids. Apesar de ambas constelações se localizarem na região sul do céu, os radiantes das duas chuvas estão distantes o que não poderá acentuar a quantidade meteoros das chuvas. A taxa horária zenital dessa chuva é de 10 meteoros a cada uma hora com magnitude de 3.2, sendo observada somente nas cidades que não possuem um alto índice de poluição luminosa. Sua velocidade é média e os meteoros da Alpha Puppids geralmente possuem uma cor azulada, proporcionando um belo espetáculo no céu.

Apesar da constelação da Popa surgir após o pôr do Sol no lado do horizonte sudeste, o melhor horário de observação dessa chuva será por volta das 3 horas da manhã quando essa constelação estará bem alta no céu localizada no lado do ponto cardeal Sul e a Lua não irá atrapalhar a observação, pois o seu ocaso já ocorreu. Vale observar nesse horário apesar da constelação Fênix não estar mais visível!

 

7.3 - 08 a 13/12 - December Monocerotids (MON) - Northern Chi Orionids (XOR) - Southern Chi Orionids (XOR) - 11 Canis Minorids - Sigma Hydrids (HYD) Geminids (GEM)

A chuva Geminids foi descrita no ano passado pelo International Meteor Organization (IMO) como provavelmente uma chuva de maior taxa horária do ano e pelo Meteor Showers On Line como “a melhor chuva de meteoros do ano”. INFELIZMENTE,  nesse ano será um pouco diferente. As cinco chuvas que ocorrem próximas entre si e, por causa disso, poderiam proporcionam um belo espetáculo no céu com diversos meteoros riscando o céu em diversas regiões SERÃO ATRAPALHADAS PELA LUA!!!

É uma pena. Mas, mesmo assim para os amantes da Astronomia que desejam ver algo no céu poderão ver um ou outro meteoro.
As chuvas Northern Chi Orionids e Southern Chi Orionids praticamente ocorrem no mesmo lugar tendo uma incidência de 5 meteoros por hora para cada chuva. Em específico a chuva Southern Chi Orionids proporciona meteoros que deixam rastros e são muito brilhantes e podem até superar o alto brilho da Lua que para essa noite estará próxima da chuva com 90% do seu disco iluminado. Para localizar essa chuva basta encontrar as populares “Três Marias” durante a noite. No mesmo instante que acontece às chuvas Northern Chi Orionids e Southern Chi Orionids irá ocorrer a chuva 11 Canis Minorids localizada na constelação do Cão Menor, próxima do Órion (região das chuvas Northern Chi Orionids e Southern Chi Orionids). Também são previstos 5 meteoros a cada uma hora e a Lua (também) atrapalha a observação dessa chuva.

Na próxima noite, ou seja, em 11 de dezembro será o máximo da chuva Sigma Hydra com a previsão de 5 meteoros a cada uma hora. Mesmo que essa chuva ocorre uma noite após as três chuvas citadas acima e duas noites antes da chuva Geminids a probabilidade de termos um belo espetáculo em conjunto com essas cinco chuvas juntas é muito grande. Mas, novamente a Lua será a grande vilã dessa noite. A constelação da Hidra se localiza muito próxima de Órion, onde aliás, a constelação do Cão Maior se localiza do lado oposto de Órion, perfazendo a configuração de Hidra – Órion – Cão Menor.

E a que foi considerada a maior chuva de 2008 nesse ano será prejudicada por conta da Lua. Na noite de 13 de dezembro a Lua estará com 99% do seu disco iluminado e muito próxima da constelação de Gêmeos, local onde irá ocorrer a chuva Geminids. Uma perda de observação aonde é prevista 100 meteoros a cada uma hora, porém esse número poderá ser reduzido quando visto a olho nu por causa do forte brilho da Lua. Para se ter uma idéia, em 1985 foram observados 4.960 meteoros a cada uma hora proporcionados por essa chuva!!!

Em resumo. Vale tentar observar essas cinco chuvas entre os dias 10 a 13 de dezembro, mesmo que a Lua atrapalha a observação. Quem sabe poderemos vários meteoros provenientes dessas cinco chuvas localizadas próximas entre si!

A figura 11 ilustra o local que irá ocorrer a chuva de meteoros Geminids que irá ocorrer em 13 de dezembro, além das chuvas Monocerotids que irá ocorrer em 08 de dezembro, Sigma Hydrids que irá ocorrer em 11 de dezembro e as chuvas Northern Chi Orionids e Southern Chi Orionids que irão ocorrer em 10 de dezembro com o nomes das estrelas mais brilhantes da região que poderão servir de orientação. Essa região do céu foi concebida para noite de 13 de dezembro á 00:01. A figura 12 ilustra o mesmo aspecto do céu, porém sem os nomes das estrelas e as referências das chuvas.

Região das chuvas de meteoros com nome dos astros

Figura 11. Região das chuvas de meteoros com nome dos astros.

Região da chuva de meteoros sem nome dos astros.

Figura 12. Região da chuva de meteoros sem nome dos astros.

Para os mais aficionados que desejam obter algumas foto dessa chuva a recomendação é utilizar uma filmadora (pode ser de câmera fotográfica digital). Apoiada num tripé, apontada para essa região, deixe-a gravando e espere capturar diversos meteoros passando e depois no computador ou na TV passe o filme e veja o resultado. Será surpreendente!

Aproveite para nos enviar suas imagens pelo nosso e-mail momentoastronomico@climatempo.com.br para publicarmos no nosso site ou no programa Momento Astronômico.

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8- PLÊIADES.

Entre outros, destacamos na constelação do Touro um aglomerado estelar muito brilhante: as Plêiades. Esse aglomerado é muito apreciado pelos astrônomos por sua beleza e fácil localização. As Plêiades também são conhecidas por vários outros nomes tais como "As sete irmãs", "A galinha e os setes pintinhos" no interior do Brasil ou como "Subaru" no Japão. Mas, pelo termo mais técnico, esse aglomerado aberto de estrelas é chamado de M45 pela classificação do catálogo Messier e está localizada na constelação do Touro (Taurus). Seis das estrelas nas Plêiades são visíveis sem o auxílio de qualquer instrumento óptico, se o observador estiver num local sem poluição luminosa. Aproximadamente 500 estrelas pertencem ao aglomerado estelar aberto das Plêiades e a maioria delas são fracas. Munido de um simples instrumento óptico, o aglomerado poderá ser apreciado com mais facilidade, principalmente com o auxílio de binóculos.

Observe na foto 7 aspecto das Plêiades que podemos observar com o uso de telescópio ou binóculo. Essa foto foi obtida remotamente por Marcos Calil de São Paulo (Brasil) com acesso ao observatório localizado nas Ilhas Canárias (África) obtida com auxílio de um telescópio com 85mm de abertura e uma CCD Kodak KAI-2020M na madrugada de 09 de setembro de 2008 à 01:06 (hora local - São Paulo).

Ainda sobre as Plêiades, na noite de 10 de dezembro teremos a aproximação da Lua com as Plêiades. Será um belo espetáculo, digno de ser fotografado. Aproveite a oportunidade para fotografar essa aproximação e enviar para nós sua foto. Quem sabe no próximo mês sua astrofoto poderá publicada nesse site. Envie para momentoastronomico@climatempo.com.br

O aglomerado estelar das Plêiades por Marcos Calil.

Foto 7. O aglomerado estelar das Plêiades por Marcos Calil.

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9- AGLOMERADO DA COLMÉIA (M44)

Fora das grandes cidades que possuem um alto índice de poluição luminosa é possível observar esse aglomerado a olho nu. Por causa disso esse aglomerado é conhecido desde tempos pré-históricos. Algumas antigas escrituras estão associadas a esse objeto: gregos e romanos viram essa "nebulosa" como a manjedoura. Ptolomeu menciona-o como uma das sete "nebulosas" que ele observou, na sua obra Almagest. Galileu relatou que este objeto "nebuloso" não era apenas uma estrela como os antigos pensavam, mas uma massa de mais de 40 pequenas estrelas. Essa dúvida se esse objeto era uma só estrela ou um conjunto de estrelas foi resolvido (possivelmente) por Peiresc em 1611, o descobridor da Nebulosa do Orion (M42). Um ano mais tarde, após a observação de Peiresc, em 1612 esse mesmo objeto foi observado  e relatado como um aglomerado estelar por Simon Marius. Charles Messier adicionou-o no seu catálogo em 4 de março de 1769, como o objeto de número 44.

Para a noite de 16 de dezembro a Lua estará relativamente perto desse aglomerado. Como o nosso satélite natural estará com 83% do seu disco iluminado a observação de M44 poderá ser prejudicada a olho nu, mas com o auxílio de uma luneta, telescópio ou binóculo (mais indicado) a contemplação desse aglomerado será bem interessante de ser realizado. Fora dessa data, sempre prefira as noites sem a interferência da Lua que poderá ser localizada com o auxílio das estrelas Pollux, Castor e Regulus.

O aglomerado da colméia.

Foto 8. O aglomerado da colméia.

Sabemos e aceitamos atualmente que mais de 200 das 350 estrelas na área do aglomerado foram confirmadas como membros. Algumas outras são estrelas de primeiro ou segundo plano, ou seja, que estão à frente ou atrás desse aglomerado. De acordo com a nova determinação da ESA, utilizando o satélite Hipparcos, o aglomerado está 577 anos-luz distante da Terra (estimativas anteriores davam o número de 522 anos-luz), e sua idade foi estimada a cerca de 730 milhões de anos. Curiosamente, tanto nesta idade e à orientação de uma boa resolução de M44 coincide com as das Hyades, outro aglomerado estelar famoso e observável a olho nu, porém, que não foi incluída na lista Messier e nem no catálogo NGC e IC, que está atualmente estimada numa idade de cerca de 790 milhões de anos. Provavelmente estes dois objetos, embora agora separados por centenas de anos-luz, têm uma origem comum, em algumas grandes nebulosas gasosas difusas que existiram entre 700 a 800 milhões de anos atrás. Por conseguinte, também a população estelar são semelhantes, ambos contendo gigantes vermelhas (M44, pelo menos, 5 delas) e algumas anãs brancas. (fonte: http://www.seds.org/MESSIER/M/m044.html)

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10- NEBULOSA DE ÓRION.

Sem dúvida essa é uma das nebulosas mais observadas e contempladas pelos astrônomos profissionais e amadores. Possivelmente registrada pela primeira vez em 1610 por Nicholas-Claude Fabri de Peiresc, foi descrita por Galileo Galilei em 1617.

A Nebulosa de Órion, catalogada como M42 do catálogo de Messier e NGC 1976 é a nebulosa mais brilhante do céu e também um dos objetos profundos mais brilhantes. Com magnitude de 4.0 esse objeto pode ser visível a olho nu em boas condições de observação (sem a interferência do brilho da Lua por perto e fora da poluição luminosa) e demonstra ser umas das mais lindas imagens quando observada através de telescópios de todos os tamanhos, desde os maiores até os de pequenos portes, bem como os que estão no espaço como, por exemplo, Telescópio Espacial Hubble. É também um grande objeto no céu, que se estende com mais de 1 grau de diâmetro, cobrindo assim mais de quatro vezes a área da Lua Cheia.

Essa nebulosa fica a uma distância de cerca de 1600 (ou talvez 1500) anos-luz. Em sua extremidade norte, a nebulosa é dividida por uma faixa escura conspícua, bem visível na nossa fotografia. Esta imagem foi obtida por Marcos Calil localizado em São Paulo, operando remotamente um telescópio localizado nas Ilhas Canárias na África. O telescópio possui 85mm de abertura acoplado numa CCD Kodak KAI-2020M.

A nebulosa de Órion por Marcos Calil

Foto 9. A nebulosa de Órion por Marcos Calil.

Para localizar a nebulosa de Órion basta localizar as populares "Três Marias". Um grupo aparentemente formado por estrelas, que na verdade é o local aonde se localiza a nebulosa, pode ser observada numa posição quase que perpendicular em relação as "Três Marias".

Aproveite para fotografar também essa bela nebulosa e enviar para nós sua astrofoto. Quem sabe no próximo mês ela poderá ser publicada nesse site. Envie para momentoastronomico@climatempo.com.br

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Bons céus para todos nós e Feliz Ano Internacional da Astronomia!!!

Marcos Calil


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Conteúdo e ilustrações: Marcos Calil - momentoastronomico@climatempo.com.br

Fontes:

Breit Ideas Observatory - http://www.poyntsource.com/New/Diary.htm

IMCCE - Institut de mécanique céleste et de calcul des éphémérides - http://www.imcce.fr/imcce.php?lang=fr

IMO - International Meteor Organization - http://www.imo.net/calendar/2008

IOTA - International Occultation Timing Association - http://iota.jhuapl.edu/

Meteor Showers On Line - http://meteorshowersonline.com/calendar.html

NASA - Solar System Dynamics - http://ssd.jpl.nasa.gov/?ephemerides

NASA - Eclipse Web Site - http://eclipse.gsfc.nasa.gov/OH/OH2008.html

Obeservatório Nacional - Anuário Interativo - http://euler.on.br/ephemeris/index.php